domingo, 18 de dezembro de 2016

Seus cabelos presos em minhas mãos
Sua boca grudada na minha, como se fossem pedaços predestinados de almas que jamais poderia se soltar
Os olhos fechados concentrados na produção de prazer
Gemidos
Arranhões
Suor
A criação da nossa libido escorrendo por nossas peles
O pecado toma forma de líquido
Os nossos corpos se tornam parque de diversões para o Diabo
Deus nos recusa no Éden
Foda-se, eu quero foder-te

- Poeta sem nexo
Nós.
Nus.
Deitados após um banho.
Ouvindo os discos de Cícero, Phill e Scambo.

Poeta sem nexo

Despedida


Me jogo num mundo platônico no qual eu imagino que se eu deixar de te abraçar, te beijar, te tocar, te olhar, você não partirá. Mas é Platão e sei que se eu deixar de realizar tudo isso, irei me arrepender amargamente e a sua partida será ainda mais indigesta ao meu coração. Entretanto, esse é o fluxo vital. Idas e vindas de amores peregrinos, que gargalham em lágrimas de despedidas. Choram pois a partida é inexistente em seus sonhos. Gargalham pois sabem que o reencontro em outros caminhos é inevitável. Não nego, irei chorar quando você se for, mas guardarei comigo o seu último gargalhar, simplesmente para me lembrar do quão maravilhoso será lhe reencontrar.

- Poeta sem nexo

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Diálogo de uma sexta-feira a noite

Quem canta os males espanta
E os amantes atrai

Como canção de sereia, atrai pro perigo do amor
Pra se afogar nos longos cabelos...
E destilar das terceiras, quartas e quintas intenções
Injetar-se como se fosse a mais pura heroína
Ou tragar como se fosse o melhor cigarro
Nos preencher como o ar faz aos pulmões
Dando vida, ou tirando-a
Correndo pelas veias, pulsando o corpo inteiro
Exalando o exótico aroma das poesias, tornando quem o carrega um nascido de Afrodite
Ah... Mãe Afrodite, porque me fez assim?
Tão entregue de bom grado ao amor e facilmente capturada
Tão sensível, essência por todos tragada, nunca em paz, sempre queimando
Ah, mas eu quero mesmo é que queime!
Queime todo o meu corpo com esse fogo que vem de dentro e torne vivo todo o sentimento, torne gozo todo o sexo, torne livre a minha essência
Que venha então o fogo! Que o mundo pereça em chamas de paixão e renasça das cinzas como a Fênix
Que meu coração troveje ao te ver e tempestue ao lhe ter.
Que desse calor nasça um segundo sol, para iluminar o novo céu azul!
E que do ápice do nosso prazer nasça um admirável novo mundo, cantado através dos gemidos constantes e escrito através de arranhões dilacerantes.
Amém...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Devaneios

Um cigarro aceso entre os dedos e o copo de whisky na mesa
Observando em uma das últimas mesas, contemplando cada nota daquela composição magnífica Isso faz renascer as memórias das últimas noites, onde o orgasmo se tornou parte do seu aroma natural Em cada expelir da fumaça do cigarro, ouve-se os grunhidos e suspiros de prazer, misturados com as notas sonoras expelidas pelo salão Em cada gole de whisky, o refrescar das partes perdidas, dos amores temporários, dos nomes esquecidos, dos sentimentos superficiais e secos de uma noite invernal.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Contos de apartamento 

Parte 1

Mais uma vez, me encontro dentro de um cômodo obsoleto. O som incessante das ruas entra pela janela da sala e quebra toda a ordem estabelecida naquele pequeno apartamento. Os homens riem, as mulheres gritam e as crianças choram. Mais uma vez, no apartamento ao lado, o jovem casal começou a discutir novamente. Gostaria de saber qual foi o motivo da vez. Mais uma traição descoberta por uma das partes? Seria a quinta vez desde que me mudei para cá. Entretanto, acho que isso já se tornou comum entre os jovens casais. Não seria a primeira vez que essa cena viria a se repetir. A paixão vai se apagando, os afagos vão se extinguindo e o desapego vai alimentando os resquícios de uma bela emoção. No fim, tudo o que resta é o vazio dentro de duas pessoas que ficam deitadas em uma cama, sem coragem para admitir a realidade e no aguardo de alguma intervenção divina para seguir em frente. As discussões se tornaram constantes, mas acabam se tornando o único momento juntos que eles podem desfrutar, já que os beijos tornaram-se tão vazios quanto as suas almas e o sexo já não existe. As suas vozes perderam a sintonia, como uma tentativa falha de cantar Back to Black, da Amy. Enfim, o amor desapareceu no ar, como a fumaça da última tragada no cigarro, enquanto os sons das ruas torna-se a trilha sonora para o fim.

Tento aumentar o volume da música para abafar o barulho, mas é notável que nem o mais agonizando do grunge vá amenizar aquela mistura de caos e depravação que afogam o meu apartamento em mais amargura. O cinzeiro já transbordava, enquanto eu já me encontrava no meu oitavo cigarro. A lenta morte me consumia, enquanto eu tentava fazer aquela fumaça vazia preencher aquilo que ainda não havia morrido dentro de mim. Encostei-me na cadeira, pus os pés sobre a mesa e tentei destilar das melancólicas letras de um estilo musical natimorto. Por um momento, nada parecia fazer sentido até que ouvi a quinta faixa da lista musical. Heart Shaped Box e toda a sua letra sem sentido são como um soco do meu surrealismo expresso nos meus fracassos literário, os quais eu chamo de poesia. As folhas rasgadas e jogadas ao meu redor são a mais perfeita visão da decadência de um artista sem dom. Um louco que busca a compreensão em um mundo de falsa sanidade. Um mero sátiro em busca de seriedade. Um boêmio e hedonista em busca de uma paixão verdadeira. O surreal me persegue e cerca, querendo me jogar no maldito ócio. Toca mais uma faixa. Lithium transmite aquilo que o meu ócio necessita. A mente conturbada de um subestimado. A automutilação do ego e a destruição do amor próprio se unem. 






Desejos Impuros


Cá estou, mais uma vez, sendo subjugado por uma fatal sedução. Jogado na cama, eu a vejo se despir, lentamente, como se estivesse a executar uma bela dança. Movimentos alucinógenos, que me faziam vagar por um mundo de sonhos e devaneios. Como se os deuses a tivessem criado para mim. Só para mim.

Descontrolado, eu me levantei e avancei sobre àquele corpo. Ela fez-me recuar apenas tocando com o seu indicador em meus lábios e lançando-me um olhar penetrante.

- Ainda não... - ela disse, sussurrando em meu ouvido e me empurrando na cama - ...tenho que brincar com minha presa.

Ela avançou sobre mim, como uma fera indomada. Seus intensos beijos fazem produzir a mais pura endorfina do meu corpo. Suas mordidas e arranhões destilam da fúria que dorme em mim, mas que habita naquele ser belo e perigoso. Ela estava conseguindo tornar-me um animal, e quanto mais eu sentia os seus lábios nos meus, mais eu queria faze-la sentir o calor que eu sentia naquele momento. Queria faze-la sentir o meu corpo no dela.

- Eu vejo em seu olhar aquilo que você é, e aquilo que não quer me mostrar. - ela me disse, olhando em meus olhos.- Mas, eu sei o que você quer. Eu sei do que você precisa. Eu lhe permito buscar.

Nesse momento, não pude responder mais por mim. Segurei àqueles belos cabelos, e a puxei para a cama, ficando sobre o seu corpo. Beijei-a loucamente. Fiz os meus lábios percorrerem o seu corpo, e a minha língua sentir o prazer de saborear cada detalhe dele. Seus suspiros e gemidos me enlouqueciam. Nossos corpos não nos pertenciam. Somos duas imparáveis forças da natureza. Já não poderia privar o resto do meu corpo de sentir o seu, e logo após um sorriso permisssivo penetro.em você, com a mesma ferocidade de um leão, e quanto mais as suas unhas rasgavam a minha pele, e os seus gemidos quebraram qualquer silêncio, e com mais força eu agiria sobre aquele corpo. E assim se desenrolou a madrugada. Em agressividade e prazer.

Por fim, eu a deixei montar sobre o meu corpo, e cavalgar enlouquecidamente. Suas expressões deixava exposto o seu prazer, e o seu sorriso demonstrava que ela havia feito o mesmo comigo. Havia-me tirado do status quo de divindade à animal. E juntos, gozamos. Gozamos como se não houvesse um fim. Gozamos após uma noite de amor e selvageria.

Ela havia conseguido. Eu deixei-me enfeitiçar, graças àquela voz, aquele olhar e aquele corpo. Eu estava ajoelhado, abraçando as suas pernas. Eu era dela. Eu era, finalmente, dela.

- Tudo o que eu quiser? - ela perguntou, suavemente.

- Tudo. - eu confirmei.